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Sobre a trama

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Início
João Marcello Bôscoli e os irmãos Cláudio e André Szajman eram amigos desde a infância. Em comum, tinham o gosto pelas artes, em especial a música. Em 1998, André e Claudio Szajman já atuavam como presidentes do grupo Szajman e João Marcello Bôscoli como músico e produtor. Juntos, tiveram a idéia de montar uma gravadora. Não uma gravadora qualquer, mas uma companhia que revelasse
novos talentos da música brasileira e resgatasse a carreira de artistas deixados de lado pela mídia; que ocupasse o vácuo cultural e mercadológico negligenciado pelas majors do setor, excessivamente voltadas para a produção padronizada de música. Em novembro daquele ano, nascia a Trama.
Em sua curta trajetória, a Trama tornou-se sinônimo de vanguarda, liberdade, ousadia e qualidade. Tendo como premissa a total liberdade artística e trabalhando o marketing dos CDs de forma diferenciada, a Trama ajudou a mudar o cenário da musica nacional, é referência no mercado fonográfico e tornou-se a maior gravadora independente do Brasil.
Sucessos
Pioneira
ao investir na música eletrônica e na nova música
brasileira, a Trama abriu suas portas revelando ao país o aplaudido e premiado Otto. Seu primeiro disco solo, Samba Pra Burro, apresentava um inspirado pop com elementos eletrônicos, sendo considerado um divisor de águas na história da nossa música. Em 1999, lançou um dos primeiros álbuns de música eletrônica brasileira - Brazil Eletronic Experience, de M4J. Enquanto as majors ignoravam o movimento que crescia nos 4 cantos do mundo, a Trama contratou, gravou e divulgou a ainda desconhecida cena eletrônica do Brasil, sendo talvez a
maior colaboradora de sua difusão no país. Praticamente todos os nomes de relevância que fizeram e fazem a música eletrônica brazuca passaram (em CDs solos, coletâneas ou produzindo remixes) ou passam pela gravadora: DJ Patife, DJ Marky, Camilo Rocha, Mau Mau, Xerxes de Oliveira, Bruno E, Ramilson Maia, Drumagick, Fernanda Porto, Anderson Noise, Anderson Soares, Mad Zoo, Rica Amaral, Loop B e outros. Criou o selo SambaLoco, especializado em drum’n’bass e breakbeats, que cresceu para além de nossas fronteiras, ganhando a Europa com o talento de seus artistas. O SambaLoco cresceu tanto que ganhou um selo irmão, Nova Vida,
dedicado à house music e ao broken beats, fazendo também sucesso no exterior.
Com ouvidos atentos, buscando sempre o que vem das ruas, ou seja, o que está aparecendo de novo, a Trama investiu pesado na música urbana, principalmente no hip-hop, dando ao rap nacional uma estrutura de gravação, divulgação e distribuição que jamais teve antes.
Passaram pela Trama (em CDs solos, participações ou em discos apenas distribuídos) nomes da primeira geração do hip-hop brasileiro como Thaíde e DJ Hum e MC Jack, além nomes de peso no panorama do estilo como KL Jay, Rappin Hood, Potencial 3, Câmbio Negro, Camorra, Sabotage, SP Funk, Mano Brown, Xis, Apocalipse 16 e outros. Apostou também na nova escola do gênero, dando espaço para que grupos da novíssima geração mostrassem seu talento na
coletânea Direto do Laboratório e lançando o EP de
estréia do Mzuri Sana.
A Trama acredita
na nova música brasileira e apresentou ao Brasil Max de Castro, Jair Oliveira, Sheik Tosado, Totonho e Os Cabra, Silvera, Flu, Fernanda Porto, Luciana Mello e Wilson Simoninha, entre muitos outros. Sem falar nos “não estreantes” Patricia Marx, Pedro Mariano, Ed Motta, Claudio Zoli, Nação Zumbi, Magazine, Jupiter Apple e Wander Wildner.
Trabalhando o marketing de forma
específica para cada disco, a Trama fez sucessos e ajudou a mudar a cara da programação das rádios, que aos poucos foram abrindo espaço para a nova música brasileira, enquanto o axé e o pagode (gêneros que dominavam as FMs quando a Trama foi criada) despencavam das paradas. Pedro Mariano vendeu 100.000 cópias de Voz no Ouvido; a cantora Luciana Mello teve duas músicas entre as mais pedidas das rádios durante quase 6 meses; Claudio Zoli vive talvez o melhor momento de sua carreira com as canções de Na Pista estouradas nas FMs e um disco de ouro pendurado na parede; Fernanda Porto, desconhecida, estourou e ditou moda misturando drum’n’bass e
música brasileira.
Investindo também na música de raiz e em artistas já consagrados mas deixados de lado pelas majors, a Trama acumula feitos e belíssimos projetos. Lançou CDs de Noite Ilustrada, Paulinho Nogueira, Baden Powell, Demônios da Garoa, Duofel, Pífanos de Caruaru, Caju e Castanha, Leci Brandão, Inezita Barroso e outros. Isso sem falar nos internacionalmente unânimes Defeito de Fabricação e Jogos de Armar - Faça Você Mesmo, do incomparável Tom
Zé, que é contratado da gravadora e está numa excelente fase de sua trajetória.
Com a mesma
sede de novidades do Departamento Artístico Nacional, o Internacional da Trama trouxe para o Brasil o melhor da música dita alternativa contemporânea: o cultuado sexteto Belle and Sebastian, o roqueiro The Hives, o selo Matador (de Pizzicatto 5, Pavement, Yo la Tengo e Interpol, entre outros), a Poptones (selo de Allan MacGee, descobridor do Oasis), o berço do grunge Sub Pop (no Brasil batizado de Die Young Stay Pretty por causa de um problema jurídico que impede a Trama de trabalhar o nome Sub Pop), e as
antenadas gravadoras Merge e Rough Trade. Lançou também novos clássicos do estilo em discos de bandas idolatradas pela mídia internacional, como Sigur Rós, Tortoise, Lambchop, Morphine e Mogwai, além de recuperar um pouco do lado menos conhecido da história do rock reeditando CDs de gente como Meat Puppets, Galaxie 500, MC5, Television e New York Dolls. Além disso, mostrou algumas novidades de gente que busca expandir os limites da música eletrônica (Matmos, Four Tet) e recuperou uma importante face da história recente do hip-hop com o
relançamento de discos das gravadoras Death Row (Doctor Dre, Snoop Doggy Dog e Tupac, entre outros) e Delicious Vinyl (Pharcyde).
Atuação
Sem qualquer interferência no processo de criação do artista (o que parece evidente, mas não costuma acontecer em tempos de super valorização do marketing, da fama a qualquer preço, enfim, da perfumaria e do supérfluo em detrimento da obra), o marketing é feito de acordo com cada álbum e focado na música. Um bom instrumento de divulgação são os shows. Assim a Trama criou a Trama Eventos, que realizou centenas de eventos em diversos lugares, de casas de show e boates até apresentações ao ar livre, muitas delas utilizando um palco móvel.
Da mesma maneira, a Trama criou a Trama.com, que abriga os sites dos artistas, disponibiliza vídeos, entrevistas e versões exclusivas de suas músicas, além de divulgar notícias do mundo da gravadora.
Isso porque a Trama acredita na internet, tendo sido a primeira gravadora brasileira a vender faixas avulsas por download e realizar ações com MP3, além de comercializar seus produtos online e produzir músicas exclusivamente para a internet.
Como som e imagem andam sempre lado a lado (principalmente em tempos de crescimento de internet e DVD), além do Trama Estúdios, que livra o artista da pressão “orçamento/horas no estúdio” e promove produtiva convivência entre o cast, a Trama criou a Trama Filmes (sua produtora de conteúdo para TV, internet e DVD) e é a única gravadora no mundo que mantém um departamento especial para cuidar da imagem dos artistas. O Núcleo de Moda e Imagem produz - sempre de acordo com a visão do artista sobre sua própria obra - os anúncios, videoclipes e capas dos CDs, que já viraram referência no mercado fonográfico, que muitas vezes para economizar centavos reduz até o
número de lâminas dos encartes.
A Trama tem como meta continuar revelando artistas, consolidar as carreiras dos que estão no cast e fincar sua bandeira no mercado exterior - tarefa que já vem sendo cumprida. Em 2002, a gravadora realizou a primeira turnê conjunta de seus artistas na Europa. Em 2003, abriu seu escritório em Londres. Os frutos já estão sendo colhidos:
os shows de nossos artistas e os CDs e singles em vinil lançados por lá têm sido extremamente bem recebidos não só pela crítica especializada, mas também por veículos dedicados a temas diversos, como as revistas Vogue britânica e espanhola e jornais de grande circulação da Inglaterra e da França.
Enfim, de 98 para cá, a custa de muito trabalho, a Trama conseguiu se estabelecer, quebrar paradigmas, dar fôlego
à musica brasileira e criar uma marca que é sinônimo de respeito e qualidade. E, o mais importante, ao lado dos selos e gravadoras independentes, fazer com que a cena independente brasileira seja cada vez maior, dando chance para mais artistas mostrarem seus trabalhos, apresentando para o publico milhares de pontos de vista para que ele próprio possa escolher, proporcionando enfim pluralidade e democracia. E a história mal começou...
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